terça-feira, 27 de janeiro de 2026

RECLAMANDO

Bárbaros vãos, dementes e terríveis
Bonzos tremendos de ferrenho aspecto,
Ah! deste ser todo o clarão secreto
Jamais podeis inflamar-vos, insensíveis!

Tantas guerras bizarras e incoercíveis
No tempo e tanto, tanto imenso aspecto,
São para vós menos que um verme ou insecto
Na corrente vital pouco sensíveis.

Entretanto nessas guerras mais bizarras
Ao sol ou à neve, rútilas fanfarras
Nessas podridões e profundas guerras...

Oh! tantas pessoas se dilaceraram
E vão, das ilusões que flamejaram,
Com o próprio sangue fecundar as terras!

Modesto


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

FRUTAS E FLORES

Laranjas e morangos, quanto às frutas.
Quanto às flores, porém, ah! quanto às flores,
Trago-te dálias rubras destas cores
Das brilhantes auroras impolutas.

Venho de ouvir as misteriosas lutas
Do mar chorando lágrimas de amores;
Isto é, venho de estar entre os verdores
De um sítio cheio de asperezas brutas,

Mas onde as aves, pássaros que voam,
Vivem a sorrir ás músicas que ecoam
Dos campos livres na rural pobreza.

Trago-te frutas, flores, só apenas,
Porque não pude apanhar açucenas
E trazer o mar e toda a Natureza!

Modesto

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ORAÇÃO DO FIM DO DIA


Ajoelhado, meu Deus, com as mãos erguidas,
Olhos fixos na Cruz, imploro a Tua graça...
Esconde-me, Jesus, da treva que esvoaça
Na Natureza, no horror das noites mal dormidas.

Maria! Virgem Mãe, das almas compungidas,
Sorriso no prazer, conforto na desgraça...
Recolhe esta oração que nos meus lábios passa
Com palavras de fé, no Teu Amor ungidas.

Meu Anjo da Guarda, ó doce companheiro!
Levas-me desde o berço ao porto derradeiro
Do meu pálido batel de meu sonhar sem fim,

Dá-me o sono que traz o bálsamo ao tormento,,
Afoga o coração no mar do esquecimento...
Abre as asas, meu Anjo, estende-as sobre mim.

Modesto

domingo, 28 de dezembro de 2025

CANÇÃO DE NATAL

Seja cantada nos quatro cantos
No Natal, uma melodia de amor.
Cantem-se boas notas de louvor, 
Entoadas com ternuras e encantos.

Que o eco desta sublime canção
Fique no ar à Luz de Jesus Menino,
Irradiada do seu berço Divino,
Trazendo momentos de reflexão.

Reflexão de um acontecimento
Angelical que marcou com magia
A chegada do Seu nascimento.

E leve a humanidade a acreditar
No amor, na paz, esperança e alegria,
Contagiando-nos com o acto de amar.

Modesto

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

O SER INTERIOR

No ser interior, a face se revela,
Mas o que me diz o íntimo Ser, quem diz?
Um turbilhão de anseios, que congela
A alma em busca de um sonhado matiz.

Olhar para dentro, viagem sem igual,
Onde o silêncio fala e a dor ensina,
Descobrir a força, o bem e o mal,
Que na essência da vida se combina.

É no abismo do Eu que a luz persiste,
Um farol a guiar na imensidão
E aceitar toda o sombra que existe,

Pois só assim se alcança a Redenção.
Então a alma, que em paz já consiste,
Completa o ciclo da sua salvação.

Modesto

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

ARREPENDIMENTO E PERDÃO

Pedro traiu a fé a Cristo dado.
Madalena chorou de arrependida;
E nessa mágoa triste e indefinida
Havia ainda uns laivos de pecado.

Tudo o que a Bíblia tinha decretado,
Tudo o que a cena humilde e dolorida
Jesus Cristo apregoou na vida,
Cumpriu-se à risca, foi executado.

O Filho-Deus da Cândida Maria,
Da flor de Jericó, na Cruz sombria
Os Seus dias amáveis terminou.

Pedro traiu a fé dos companheiros.
Madalena chorou sob os olmeiros,
Jesus Cristo sofreu e.. perdoou!

Modesto

terça-feira, 25 de novembro de 2025

SONETO NOSTÁLGICO, DOCE E MELANCÓLICO

No silêncio doce da lembrança,
Ecoa um tempo que não volta mais,
Sussurros suaves, pura esperança,
Em versos tristes, sonhos tão banais.

Põe-se o sol em tons de melancolia,
No peito arde a chama do passado,
Um doce pranto, doce agonia,
No coração, um amor guardado.

As horas passam, lentas, sem perdão,
Na alma vive a sombra do que foi, 
Um doce adeus, uma canção.

E assim se vai a dor da nostalgia,
Entre suspiros, a alma se desfaz,
No doce pranto de melancolia.

Modesto

RECLAMANDO

Bárbaros vãos, dementes e terríveis Bonzos tremendos de ferrenho aspecto, Ah! deste ser todo o clarão secreto Jamais podeis inflamar-vos, in...